CONTRASTES
Faz algum tempo de não escrevo por aqui. Estava de
férias! Visitando minha terra Natal, Fortaleza, no nordeste brasileiro.
Foram dois meses que me aliviaram a saudade e me
trouxeram muitas certezas e mais algumas incertezas.
Engraçado quando a gente retorna a um local conhecido,
e as lembranças e os sentimentos de aquietam encontrando cada um seu devido
lugar no coração.
Meu amor pelo Brasil é inexplicavel, como toda paixão
o é. Sou apaixonado pelo Ceará, chegando a raias do bairrismo. Gosto de tudo,
até mesmo do insuportavel! Descobri isso quando da ausencia, da falta que
determinadas situações, banalidades, costumes me fizeram nesta outra cidade
onde vivo atualmente.
Chegar em Fortaleza foi o mesmo que chegar em casa dos
pais depois de longo tempo. Reconhecer cada cantinho que estava igual e se
perder nas grandes reformas que ocorreram. Ela está mais bonita, mais sedutora.
Continua sendo minha amada amante de todas as horas!
Saboreei o gosto do sentimento de “Haimat”, de terra
natal, onde nos integramos sem nenhuma dificuldade... onde temos total
afinidade!
Em quase dois meses não senti saudade de Viena nem um
minuto. O que nascia em mim era a angustia de retornar para ca. Mesmo assim
voltei. Ando pelas ruas de Viena do mesmo modo, tranquilamente, como me
sentindo em casa. Se Fortaleza tem a cara de casa de pai e mão, Viena tem cara
de casa da gente, de nossa bagunça organizada do nosso jeito.
Não importam os motivos que nos tiram da casa dos
pais, de nossa terra natal, a vida continua dia a dia, se construindo, de
expandindo. Saudade do colo materno, todos temos! Saudades da infancia, dos
amigos que nunca mais vimos nem veremos... tudo isso faz parte da nossa
historia pessoal. É nosso passado, as raizes que nos transformaram em quem
somos hoje. Bom ou não tão bom, nosso passado é imutável! O que podemos fazer é
aceitar como foi e reconstruir os sentimentos lançados sobre as lembranças.
Hoje encaro as lembranças dos momentos dificeis como
meus verdadeiros trofeus: naqueles momentos fui desafiado a vencer, a
sobreviver. E sobrevivi! Alcancei a vitória sobre minhas fraquezas.
Andei pelos mesmos lugares onde vivi, cresci, chorei,
sorri, me apaixonei, me decepcionei. Revi amigos e lembrei de amores que se
foram. Enfrentei as mesmas dificuldades que tinha que superar nos tempos
estudantis, como andar de onibus. Lembrei como eu achava era divertido!
Encontrei uma outra pessoa, lembrei da garota que fui
e que havia se perdido pela estrada da vida. Achei a criança que se sentindo
solitária encontrou amigos como Eça de Queiros, Jose de Alencar, Machado de
Assis, Camilo Castelo Branco, Victor Hugo, Dostoiévski, Fernando Sabino, e se
apaixonou por Cristo e Vinicius de Moraes. Encontrei a adolecente que curtia a
vida como se apresentava, andando pendurada em onibus lotado ou correndo para
pegar o ultimo lotação para casa; a jovem que sonhava com possibilidades reais
e as realizava, mesmo que ninguem lhe desse a menor ajuda ou confiança; com uma
mulher que viveu seus sonhos mais loucos e, interessante, nunca teve medo de
arriscar tudo para ser feliz, mesmo que isso lhe causasse lágrimas e dor,
afastamento do mundo conhecido e enfrentamento do desconhecido. Encontrei alguem
que muitos consideram louca o bastante para mudar tudo, todos os preceitos,
andar na contra-mão do preconcebido, do preconceito...
Voltei para Viena mais consciente de mim mesma e hoje
digo a mim mesma: sou capaz de ser feliz em qualquer lugar! Em qualquer
momento! Comigo mesma estou bem, estou segura, confio em mim para cuidar de
mim!
Viva a vida!
O que seria da vida sem seus contrastes, sem suas
cores, sem o calor e o frio? O que seria de nós se tudo fosse sempre morno, sem
novidades, sem emoção... uma paz eterna? Epa! Paz eterna é a morte!
Eu quero é viver mais intensamente ainda. Quero sentir
o que ainda não senti. Quero viver o que ainda nao vivi!
Au revoir, mein
Freund! Machst gut! Vou
continuar vivendo minhas loucuras!
FzWagner, 06.09.15
Em Viena

Nenhum comentário:
Postar um comentário