A solidão nossa de cada dia
Nascemos sozinhos, como Ser, Ente, pois mesmo
acompanhados, protegidos, auxiliados, cabe-nos a coragem de respirar, e
continuar respirando.
O “Sopro de Deus” inicia assim a vida no mundo
exterior. Tem inicio tambem a nossa jornada solitaria pelo planeta.
Familia é o primeiro grupo de semelhantes que
encontramos. E como nos sentimos? Acolhidos, amados? ou não? Sempre estaremos
sozinhos conosco mesmo. E essa solidão nossa de cada dia nos apavora; lutamos
para preenche-la com companhia de outros solitarios pela estrada da vida:
colegas na escola, na uni, no trabalho, amores, casamento, filhos... e
novamente a oportunidade de encontrar aquele pedaço, aquela parte que nos
tirará da solidão, onde encontraremos a nossa real plenitude, nossa verdadeira
identidade.
Caimos no vão do ciclo vicioso da busca por nós
mesmos, nas perguntas preexistentes de onde viemos e para onde vamos. Andamos em
cículos tão grandes ou apenas rodamos no mesmo lugar, num jogo de espelhos onde
nos vemos sozinhos, desolados, intranquilos.
É o momento da busca, momento da inexistencia!
Então percebemos que a solidão nossa, na realidade,
não existe. Nós mesmos nos iludimos! Pensamos que somos únicos, e realmente
somos em consciencia e ao mesmo tempo somos do Todo uma pequena parte, uma
pequena celula, pois o Todo são as consciencias interligadas.
O que vivenciamos, experimentamos sozinhos, comungamos
com o Todo.
No silencio e na solidão existe o vazio. E o vazio é o
caminho, somente o caminho para a compreensão do Todo, onde tempo e espaço
inexistem no momento do agora.
Felizes os que aproveitam o momento da solidão de cada
dia para estarem apenas consigo mesmo.
E nesta pequena viagem no vazio, onde não ha
movimento, está nossa plenitude.
Viena, 28.10.15
FWagner

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