sábado, 16 de janeiro de 2016

Para que correr tanto?


Para que correr tanto?

Hoje é um sábado, comum como qualquer outro; frio, como qualquer dia de inverno; nubado, como qualquer dia que se espera chover. Mais um sábado na vida de milhões de pessoas.

Fui ao supermercado, como milhares de pessoas que fazem suas compras aos sábados, por terem mais tempo disponivel – o que não é o meu caso.

Onde moro é um local tranquilo do bairro e existem tres opções de mercados de compras nas proximidades.

Tento acordado cansado, com o corpo dolorido pela agitação dos dias anteriores, flagrei-me correndo... ou seja, andando rapidamente como se fosse pegar um trem e ja estava atrazado! Meu joelho reclamou.

Parei. Olhei para os lados e vi os outros tambem andando tão depressa quanto, não importando a idade de cada um. E o ritmo acelerado dos passos continuaram, as feições impacientes, estressadas, preocupadas...

Ergui os olhos e vi o ceu nublado, e os pombos que sobrevoavam o parque, pousando em seguida nas árvores laterais e nos ombrais dos predios vizinhos. Faziam uma festa no ceu.

Absorvi aquele momento e uma paz intensa entrou pelas minhas narinas, enchendo meu peito de ar fresco e revigorando todo meu corpo.

Lembrei de quando apressava meu filho mais velho e ele respondia: “Pra que pressa se o final é a morte?”; sorri desta lembrança e pensei: “Ele tinha razão! Pra que vou correr se ja fiz tudo que podia, tenho tudo que necessito, e agora vou para a última etapa da vida onde finalmente encontrarei a indesejada das gentes?”

O mundo atual esta tecnologicamente farto. Temos meios para viver melhor e com mais suavidade. Então porque continuamos correndo? Temos mais informação do que necessitamos: então, porque continuamos correndo? Os serviços estão disponiveis a um clic no computador, mas nem assim paramos para olhar para o ceu e ver a revoada dos pombos? Não observamos os rostos uns dos outros, pois temos nossas proprias preocupacoes e mazelas para sofrer. Não perdemos tempo para ajudar um mais idoso ou nos impacientamos com sua “morosidade” por que estamos acostumados a correr contra um tempo de nunca vai para, por que não existe de verdade.

Assim perdemos momentos maravilhosos que se exvaem e nunca mais se repetirão. Perdemos oportunidades de dar ou receber um sorriso, um aperto de mão, um abraço, ou sermos simplesmente gentis com o outro.

Por que estamos tão apressados, não conseguimos fazer as compras com prazer, observando exatamente o que queremos e ate nos dando direito a comprar algo totalmente diferente, que nunca comemos antes, somente pelo prazer de ter uma nova experiencia gustativa!

A vida passa tão rapido! – Diriam alguns. E eu perguntaria: o que aproveitastes da vida completamente, inteiramente, do teu dia, do hoje em tua existencia eterna? Lembras de quantos nasceres do sol, ou de quantos anoiteceres? Lembras do cheiro de quais flores, ou do matizes de cada verde da primavera dos anos passados? Lembras das belezas da natureza, da temperatura dos pingos de chuva ou do gosto da neve caindo dentro de sua boca aberta, no meio da rua, feito criança? De destes o direito de escorregar de bumbum na neve branca, rolando ladeira abaixo e sorrindo como um bebe?

Estou decidida que vou viver cada minuto, cada momento, como único que o é! Quero lembranças de maluquices feitas enquanto caras cisudas me olham criticamente desaprovando minhas atitudes, que não condizem com alguem de cabelos brancos. Exatamente, tenho cabelos brancos e posso me dar o direito de fazer aquilo que nunca deixaram quando criança, ou que não tive tempo quando mais jovem, ou que eu mesmo achava fora de lógica fazer.

Eu não quero mais lógica.

Eu estou saindo do padrão.

Eu estou deixando o sistema abismado.

E se me encontrarem num hospicio daqui há algum tempo, pode ter certeza, alguns se incomodaram muito com minha liberdade de ser exatamente como gosto de ser: EU MESMO!

Fwagner
Viena, 16.01.16


PS.: Não aconselho a ninguem fazer o mesmo.   

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