Depois de
sete invernos na Europa Central, percebo por que a idéia de inverno nos liga a
idéia de morte.
Vindo de
uma terra onde inverno significa vida, custei a aceitar a mudança tão radical
quanto a idéia trazida por essa estação do ano.
Nossa vida
segue também às estações do ano, que pela sabedoria da Mãe Terra nos mostra
como ultrapassar os obstáculos com crescimento e sabedoria!
Nossa alma
vive seus invernos ou secas.
Considero
o Inverno da Alma quando estamos tristes, desolados; quando as decepções nos
visitam; o acaso nos leva para terrenos inóspidos onde o frio, a ausencia dos
amigos, da família, dos amores nos relegam às nevascas da solidão.
A Alma
sente que deve criar aquela casca grossa igualmente às árvores, para se proteger
das intempéries, e nosso coração fica endurecido, calado, tímido; o riso foge
de nossos lábios e os olhos chovem as lágrimas da dor.
O céu
cinzento ilumina parcamente nosso caminho e nosso caminhar se torna lento e
cuidadoso para não cair nas armadilhas cobertas pela neve frouxa que nos faz
afundar, afundar... até que o pé novamente encontre solo seguro. O frio congela
nossos lábios sem sorriso, penetra em nossos ossos sem esperança e só
continuamos por que ficar parado significa a morte certa. O vento da discórdia
sopra em nossos ouvidos palavras gélidas de amor e carinho. Precisamos continuar
andando pela estrada da vida, apesar de todo mal tempo. A caminhada é
necessaria para saírmos deste deserto, de árvores negras e desfolhadas. Permitir
se ficar é impossível. Permitir se estacionar é entregar-se ao inverno, forte e
impiedoso. É morrer para a vida!
A Alma
encontra sempre uma saída: o desejo de continuar vivendo, experimentando e o
sol brilha, embora não tenha calor suficiente para derreter o gelo da mágoa, do
medo, da decpção, da dor da perda, do sofrimento do desamparo... mas ele
brilha!
E esse
brilho nos lembra que a primavera virá! Esse brilho, de pouco calor é o sinal
que o inverno passará em breve e as árvores voltaram a se auto-folhear. É tempo
de se preparar para o renascimento! A erva brotará do solo molhado pelo desgelo
e florará com pequenos e belos presentes coloridos!
O Inverno
da Alma é necessario para que tenhamos a certeza que ele não é um fim em si
mesmo, apenas uma estação de recolhimento, para curar nossas feridas. No seu
silencio podemos nos permitir ouvir nosso coração!
O Inverno
da Alma não nos leva ao inferno, nos leva à salvaçao pela certeza da próxima
estaçao. Assim determina a lei da Mãe Terra, que nos honra com a primavera.
As chuvas
de lágrimas regam nossos corações e levam a neve embora, pelo calor de nosso
pulsar, nossos pulmões continuam inalando o ar gelado e devolvendo o ar quente!
E esse calor nos tirará da estação fria... Nosso calor próprio, nossa luz
interior, nosso sol volta a brilhar e iluminar nosso caminho, trazendo a beleza
de um sorriso, as novas cores das folhas e flores, a fecundidade da paixão e do
amor.
É durante
o Inverno da Alma que descobrimos que somos capazes de amar... e dessa
decoberta nasce a primavera!
Por isso
perdi o medo do inverno, pois ele me mostra agora que posso chegar à primavera,
assim continue andando e curando minhas feridas, pois das cicatrizes brotarão
flores belíssimas!
Viena,
27.4.2015

Acredito que meu comentário anterior não foi publicado, então vou escrever novamente.
ResponderExcluirNão sabia que eu tinha uma irmã com tanta sabedoria Parabéns mana, pelo belo exemplo de vida contido neste texto.
Um grande e caloroso abraço.