Competitividade
alucinante
Tenho observado que muito se tem falado, escrito e
vendido sonhos, modelos de nova geração, de produção numa competitividade
desenfreada.
Antes era quase exclusividade da área empresarial, da
industria, do comercio, entretanto de tempos para ca, uma verdadeira explosão
de auto-ajuda para ser o melhor em alguma coisa, para extrair de si mesmo o
melhor que se tem... ser o melhor, ter mais qualidade de vida, ser um humano
mais qualificado ou de melhor qualidade!
Será que nossos pais e avós foram tão ruins assim? Será
que eles construiram um mundo tão perveso, tão malvado...
Quando nasci não tinha computadores, não tinha
celulares, não se pensava em internet e a televisão e telefones eram coisas de
ricos, poucos os possuiam por serem caros.
As pessoas conversavam mais, eram mais amigas e solidárias.
Menos solitarias. Viviam no mundo de todos, na comunidade, e não em seu mundo
particular. Os vizinhos se sentavam nas calçadas, se cumprimentavam na rua, e a
gente conhecia até os “ladroes de galhinha” do bairro!
As crianças brincavam nas calçadas, nas ruas, por que
não haviam muitos parques ou praças disponíveis, mas tinha sempre um terreno
baldio, onde a turma dos rapazes limpavam tudo para improvisar aquele campinho
de futebol aos finais de semana. Ali ficava o vendedor de picolé e de pipoca!
Ninguém tava muito preocupado em ser o melhor jogador
do mundo, ou o cara mais bonito. A competição era mais uma brincadeira que uma
verdadeira guerra.
As meninas não usavam maquiagem ou saltos altos e
formavam aqueles grupinhos a escolher suas vítimas, pois nunca os homens
consquitaram as mulheres, e sim, as mulheres se deixaram conquistar pelos
homens. Havia competição entre as meninas sim, até brigas, mas isso é da própria
natureza feminina... outro assunto.
Todos tinham sonhos. E sonhos que se realizavam. Eram sonhos
reais. Eram sonhos bons, tranquilos. Uns sonhavam mais altos que outros, mas
ninguém competia com os sonhos de ninguém. O importante era dar o melhor de si
mesmo.
Os meios de comunicação não massificavam, eles
informavam. E as senhoras da calçada informavam muito mais da vida do bairro
que qualquer jornal!
Com a revolução tecnológica aumentou o consumismo e a
competição entre os seres humanos. Os pa=ises passaram a competir entre si, se
preocupando mais com estatísticas do que com a realidade.
Parece que a essencia da vida tomou outros rumos!
O que é essencial agora? Uma meta, um sonho a ser
realizado, uma melhoria do ser... mais amor, mais isso, mais aquilo!
Será que nossos pais e avós não amavam o bastante? Será
que nossas amizades não eram puras e sinceras? Será que nossas inimizades não
eram verdadeiras, afinal de contas ninguém agrada a todos todo o tempo! As brigas
eram mais sinceras, apesar de por futilidades? Será que os namorados não eram
mais romanticos? E os casamentos mais duradouros?
Nostalgia? Coisas ultrapassadas? Fora de moda?
Então, por que se vende tanto o tema: Ter um sonho,
realize seu sonho?
Ser o melhor em alguma coisa... com tanta informação
que não conseguimos digerir. Com tanto para ler e saber que não conseguimos
assimilar!
Até onde queremos realmente ir? Por que temos que ter
sonhos mirabolantes? Por que ser apenas um ser humano normal, ter uma vida
normal, simples, ficou tão fora de moda?
Por que mesmo depois de ter se dedicado a vida inteira
a uma profissão, ainda se precisa ir além? Jogar conversa fora no bar da
esquina, jogar cartas com os amigos de antigamente, ou sentar no banco da praça
para olhar as mocas jovens passarem ficou tão fora de moda?
Por que estudar sempre algo novo? Para que? Sera que
vamos ficar dementes sem estar estufando nosso cerebro de conhecimento sem ter
certeza de sua utilização?
São tantas as perguntas, que posso encher páginas aqui
sem respostas.
Apenas acho que todos devemos nos dar um limite. E esse
limite deve ser respeitado pelos outros, até mesmo por que cada um sabe de si. Acho
que devemos moderar os aditivos, que obrigam crescer além dos limites, a verdadeira
cobrança para ultrapassar os limites em nome do progresso. Um progresso que
esta fazendo o ser, o ente retroceder como pessoa, tornando se máquina de
produção do sistema. Um sistema que está produzindo doentes.
Comparo com o uso de anabolizantes, tanto
conhecimento. Cérebros inchados, altamente capazes e corações atrofiados por falta
de tempo de amar, de olhar para o céu, de acompanhar as fases da lua, de
amar... de namorar... de realmente ver que o essencial da vida é apenas viver,
se deixar levar pela fluidez da agua do rio.
14.6.15
Nenhum comentário:
Postar um comentário