domingo, 14 de junho de 2015

Competitividade alucinante


Competitividade alucinante

Tenho observado que muito se tem falado, escrito e vendido sonhos, modelos de nova geração, de produção numa competitividade desenfreada.
Antes era quase exclusividade da área empresarial, da industria, do comercio, entretanto de tempos para ca, uma verdadeira explosão de auto-ajuda para ser o melhor em alguma coisa, para extrair de si mesmo o melhor que se tem... ser o melhor, ter mais qualidade de vida, ser um humano mais qualificado ou de melhor qualidade!
Será que nossos pais e avós foram tão ruins assim? Será que eles construiram um mundo tão perveso, tão malvado...
Quando nasci não tinha computadores, não tinha celulares, não se pensava em internet e a televisão e telefones eram coisas de ricos, poucos os possuiam por serem caros.
As pessoas conversavam mais, eram mais amigas e solidárias. Menos solitarias. Viviam no mundo de todos, na comunidade, e não em seu mundo particular. Os vizinhos se sentavam nas calçadas, se cumprimentavam na rua, e a gente conhecia até os “ladroes de galhinha” do bairro!
As crianças brincavam nas calçadas, nas ruas, por que não haviam muitos parques ou praças disponíveis, mas tinha sempre um terreno baldio, onde a turma dos rapazes limpavam tudo para improvisar aquele campinho de futebol aos finais de semana. Ali ficava o vendedor de picolé e de pipoca!
Ninguém tava muito preocupado em ser o melhor jogador do mundo, ou o cara mais bonito. A competição era mais uma brincadeira que uma verdadeira guerra.
As meninas não usavam maquiagem ou saltos altos e formavam aqueles grupinhos a escolher suas vítimas, pois nunca os homens consquitaram as mulheres, e sim, as mulheres se deixaram conquistar pelos homens. Havia competição entre as meninas sim, até brigas, mas isso é da própria natureza feminina... outro assunto.
Todos tinham sonhos. E sonhos que se realizavam. Eram sonhos reais. Eram sonhos bons, tranquilos. Uns sonhavam mais altos que outros, mas ninguém competia com os sonhos de ninguém. O importante era dar o melhor de si mesmo.
Os meios de comunicação não massificavam, eles informavam. E as senhoras da calçada informavam muito mais da vida do bairro que qualquer jornal!
Com a revolução tecnológica aumentou o consumismo e a competição entre os seres humanos. Os pa=ises passaram a competir entre si, se preocupando mais com estatísticas do que com a realidade.
Parece que a essencia da vida tomou outros rumos!
O que é essencial agora? Uma meta, um sonho a ser realizado, uma melhoria do ser... mais amor, mais isso, mais aquilo!
Será que nossos pais e avós não amavam o bastante? Será que nossas amizades não eram puras e sinceras? Será que nossas inimizades não eram verdadeiras, afinal de contas ninguém agrada a todos todo o tempo! As brigas eram mais sinceras, apesar de por futilidades? Será que os namorados não eram mais romanticos? E os casamentos mais duradouros?
Nostalgia? Coisas ultrapassadas? Fora de moda?
Então, por que se vende tanto o tema: Ter um sonho, realize seu sonho?
Ser o melhor em alguma coisa... com tanta informação que não conseguimos digerir. Com tanto para ler e saber que não conseguimos assimilar!
Até onde queremos realmente ir? Por que temos que ter sonhos mirabolantes? Por que ser apenas um ser humano normal, ter uma vida normal, simples, ficou tão fora de moda?
Por que mesmo depois de ter se dedicado a vida inteira a uma profissão, ainda se precisa ir além? Jogar conversa fora no bar da esquina, jogar cartas com os amigos de antigamente, ou sentar no banco da praça para olhar as mocas jovens passarem ficou tão fora de moda?
Por que estudar sempre algo novo? Para que? Sera que vamos ficar dementes sem estar estufando nosso cerebro de conhecimento sem ter certeza de sua utilização?
São tantas as perguntas, que posso encher páginas aqui sem respostas.
Apenas acho que todos devemos nos dar um limite. E esse limite deve ser respeitado pelos outros, até mesmo por que cada um sabe de si. Acho que devemos moderar os aditivos, que obrigam crescer além dos limites, a verdadeira cobrança para ultrapassar os limites em nome do progresso. Um progresso que esta fazendo o ser, o ente retroceder como pessoa, tornando se máquina de produção do sistema. Um sistema que está produzindo doentes.
Comparo com o uso de anabolizantes, tanto conhecimento. Cérebros inchados, altamente capazes e corações atrofiados por falta de tempo de amar, de olhar para o céu, de acompanhar as fases da lua, de amar... de namorar... de realmente ver que o essencial da vida é apenas viver, se deixar levar pela fluidez da agua do rio.



 14.6.15

Nenhum comentário:

Postar um comentário