sábado, 20 de junho de 2015

Tolerancia e aceitação



Tolerancia e aceitação
Qual a diferença?

Normalmente as caminhadas matutinas são tranqüilas. Ficamos absorvidos pelo movimento muscular embalados pelo canto dos pássaros e latidos de cachorros que se cumprimentam.
Hoje, entretanto, algo de estranho aconteceu. Uma senhora que passeava com seu cachorrinho já entrou no parque gritando, xingando todos os estrangeiros, perguntando por que “eles” vinham para a Austria e por que estavam sujando o país dela. Mandando todos irem embora daqui!
Daí em diante começamos uma conversa sobre o assunto, que nos levou a algumas indagações.
Compreendemos que a “invasão” estrangeira em Viena e agora na Austria, com tantos refugiados vindo do Oriente Médio e da África está assustando mais ainda a população nativa. Viena já é uma cidade onde o idioma alemão é o menos ouvidos nos transportes públicos, nas praças, na rua e nas lojas de modo geral. Existem bairros onde a maioria dos moradores são realmente nativos, outros porém, por exemplo o meu, a maioria é realmente de estrangeiros.
Nota-se a diferença pela limpeza e conservação dos parques. Vamos ser justos, nem todos os estrangeiros são irresponsáveis e nem todos os austrícos são responsáveis. Gente é gente em qualquer lugar do mundo, e educação cada um tem a sua. Consciencia tambem é algo que se desenvolve sozinho ou em grupo.
Então onde está o erro? – foi a pergunta chave que desencadeou todo assunto. Fomos buscar identificar a causa disso.
Chegamos a conclusão que está exatamente neste momento: o ERRO!
Tentarei fazer o raciocinio inverso do nosso.
Quando um ser considera algo errado, está fazendo um julgamento dual admitindo que existe um certo. Onde está o certo? No seu modo de entender e ver o mundo e as pessoas ao seu redor. Então, o certo e errado depende única e exclusivamente do seu julgamento dual de valores. Se isso faz parte da moral, da justiça, de qualquer outra coisa, não tivemos tempo e nem disposição para enveredar por essa alameda. Fomos simplistas em nossos pensamentos, caso contrário ainda estaríamos conversando sobre o assunto!
Se existe um certo e naturalmente um errado, então alguma coisa, ato, atitude, está em um desses dois universos.
Quando nos convencemos que o nosso modo de pensar é o certo, naturalmente qualquer outro está no universo oposto! Até aí tudo bem. Eu posso achar que uma atitude, um pensamento, um modo de ser é certo e me comportar dentro deste universo. E o outro que não se comporta da mesma forma, está fatalmente no meu universo de Erro(!), mas não no dele!
Somos entes individuais que tentamos sobreviver em sociedade. Ironicamente os agregamentos humanos foram construidos para manter a sobrevivencia do grupo e agora está causando a sua destruição... mesmo racioncínio.
Nos reunimos com aqueles que tem idéias semelhantes e formamos um grupo! Todos os outros grupos que não comungam das mesma idéias, do mesmo sistema, estão errados e por isso mesmo é uma ameaça ao nosso grupo!
Ameaça! Por que uma ameaça?
Por que tudo que não compreendemos, que não entendemos ou não aceitamos conscientemente é encarado como ameaça. Isso é humano!
Lembramos de uma lei da física que mostra que é necessario uma quantidade razoável de energia para tirar um corpo da inércia. Isso também ocorre no momento da mudança de pensamento, no processo de aceitação. Se faz necessário uma energia de pensamento qualitativa e quantitativa para provocar uma aceitação de uma nova idéia, um novo comportamento, por parte de um ser e maior ainda por parte de um grupo!
Assim começam os conflitos entre casais, dentro da familia entre pais e filhos, e vai crescendo até atingir as nações, gerando a guerra!
Tanto as pessoas quanto os grupos humanos tendem a permanecer na zona de conforto. Mudar de idéia  dói, causa pânico do desconhecido, reforma nosso modo de ser e atuar dentro de nós e do nosso grupo, e nem todos se reformam instantaneamente e ao mesmo tempo! Cresce o medo da rejeição. Quem é rejeitado pelo grupo, corre risco de vida, pois é banido para fora da “aldeia” e ficará a mercê das feras. Vem a insegurança!
As guerras são fruto do medo!
Mas o medo de ser banido do nosso grupo social não impede que o outro grupo seja aceito com suas atitudes, modo de ser e de viver?- não impede mesmo. Se o lider desse grupo foi seguro o bastante para manter se na zona de conforto e aceitar os limites impostos pela tolerancia. Isso ocorre tambem a nível pessoal, individual!



Tolerar o comportamento do outro não é aceitar. É simplesmente não querer mudar o outro, deixando o medo de lado e tendo consciencia que se pode continuar em nossa zona de conforto, com nossas idéias e jeito de ser.

Aceitar o comportamento ou idéia do outro já exige uma participação com o outro e nos exige uma mudança interna que gerará uma mudança externa e assim a energia necessaria será bem maior do que a da tolerancia.

Tudo isso é provocado apenas no momento que fazemos um juízo entre o certo e o errado.
Sentamos exautos de pensar. Pensar cansa; conversar andando, cansa; chegar a uma conclusão assim, cansa mais ainda.
Não sabemos se a chave da questão dos conflitos humanos, desde os mais simples até os que envolvem grandes nações ou grupos, está exatamente aí: no juízo dos valores CERTO\ERRADO, nos levando ao medo do desconhecido, quando sairmos desta dualidade, entrando no caos.
Tolerancia seria então a palavra chave? As fronteiras existem para nos proteger? De quem? De nós mesmos ou dos outros grupos?
Para que lado vai pender o prato da balança? A balança da Deusa da Justica! Ela exige aceitação, rigidez de pensamento expresso nas regras, dentro do juízo de certo-errado, justo-injusto.



E onde fica a tolerancia?
Quando perdermos os medos de sermos invadidos por aceitar o pensamento do outro, teremos enfim chegado a grande liberdade de ser quem e como somos. Quando perdermos o medo dos comportamentos e atitudes diferentes dos nossos, por estarmos seguros de quem somos e do que pensamos e aceitamos, teremos chegado a pacificidade, ou seja, a qualidade de Ser Pacífico e ao sistema de não interferencia!





 Viena, 20.6.2015
FWagner




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